Os brasileiros com renda inferior a três salários mínimos representaram 70% dos clientes bancários que renegociaram dívidas em dezembro de 2018, segundo o relatório de economia bancária do BC (Banco Central), que mostra o perfil dos devedores no país. Quem tem alta renda (acima de 10 salários mínimos) representou 5% dos devedores que renegociaram. Os números são de dezembro, mas foram divulgados só agora. A renegociação ocorre quando o cliente já tem parcelas em atrasos e a instituição financeira precisa oferecer vantagens aos devedores, como descontos no valor da dívida. Quando a pesquisa foi feita (dezembro de 2018) três salários mínimos representam R$ 2.862, e dez salários eram R$ 9.540. Em dezembro de 2018, 278 mil correntistas de bancos precisaram renegociar. Desse total, 178 mil tinham débitos inferiores a R$ 3.000. Naquele mês, R$ 2,9 bilhões foram renegociados com a oferta de vantagens aos clientes.

Valores maiores são de crédito imobiliário

Pelo menos 23% do total de valores renegociados diz respeito a clientes com renda inferior a três salários mínimos que financiaram imóveis com valores superiores a R$ 50 mil. Segundo o BC, essa realidade pode ser um reflexo da recessão econômica de 2015 e 2016. As pessoas comprometeram parte significativa da renda com parcelas, mas ficaram desempregado. O relatório também mostra que os clientes com dívidas no cartão de crédito são maioria entre entre os que renegociaram dívidas no período e chegaram a 28%, cerca de 77,8 mil pessoas. O BC informou que a maioria deles é de baixa renda e o saldo devedor é inferior a R$ 3.000.

Cartão de crédito é mais difícil de pagar

O BC declarou que os resultados das renegociações são positivos. Após 12 meses dos acordos, 51% dos clientes pagaram as dívidas ou estavam com as parcelas em dia. No caso das renegociações de dívidas com crédito imobiliário e cartão de crédito, os resultados foram distintos. Com imóveis, 84% dos clientes pagaram as parcelas ou tinham atrasados de até 90 dias. No cartão de crédito, apenas 48% haviam pago.  “A permanência dos tomadores na modalidade cartão de crédito é preocupante dado seu alto custo, que tende a levar ao aumento da inadimplência. Em dezembro de 2018, embora representasse 12% do saldo da carteira de crédito pessoa física, o cartão de crédito correspondia a 22% da carteira inadimplente”, informou o BC. Fonte: UOL/Econômia.