Osmar da Cruz ficou 7 dias “preso” em fila de caminhões, impedido de sair por causa das ameaças dos “infiltrados”, pessoas estranhas ao movimento legítimo.

A reportagem acompanhou o comboio da Polícia Rodoviária Federal na tarde desta terça-feira (29) e a saída de um caminhoneiro que estava no protesto no Rodoanel desde quarta-feira (23). O caminhoneiro Osmar da Cruz diz ter ficado 156 horas no bloqueio. “Eu estava querendo sair mais o movimento lá, pra eu sair de lá tinha até a escolta da polícia, mas a questão era no caminho pra eu poder chegar em casa”, disse. “E eu tô sentindo muito, porque eu tenho minha esposa que é dependente de mim, e eu fico na rua aí por causa de pessoas.” Assista a reportagem:

Osmar ficou emocionado na hora de sair do bloqueio. “Uma coisa assim não é fácil não. Eu acho que a gente tem direito de ir e vir. O medo é da gente sair e ser apedrejado. Até levar um tiro na cara.” Ele disse que a primeira coisa que queria fazer ao chegar em casa era dar um abraço na esposa, que sofre de Alzheimer, e nos filhos. “Eu acho que todo pai de familia que ama seus filhos não merece uma coisa dessas não”, afirmou. Apesar dos dias de aperto, o caminhoneiro espera que o movimento produza resultados. “A esperança é essa. Que abaixe o combustível porque todos os caminhoneiros estão sendo massacrado por esse governo.”

Denúncias de ameaças contra caminhoneiros se multiplicam

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) do Distrito Federal montou um comboio, na tarde desta terça-feira (29), para escoltar caminhoneiros “acuados” na BR-040, em um trecho entre Brasília e Luziânia (GO). Segundo a corporação, eles manifestaram desejo de deixar os pontos de bloqueio nas estradas, mas estariam sendo coagidos por lideranças a permanecer no local. Até as 15h, os autores dessa intimidação não tinham sido apontados pelos motoristas. O grupo de motoristas deve ser escoltado para Brasília ou para Cristalina (GO), a depender da vontade de cada um. Segundo a PRF, até a tarde desta terça, não havia pedidos similares em outros trechos monitorados pelas equipes do DF.

Até agora, as operações de escolta no DF eram voltadas, exclusivamente, para a liberação de caminhões barrados nas rodovias. Na manhã desta terça, por exemplo, a PRF escoltou cargas de alimentos entre Formosa (GO) e Brasília, na BR-020. Em outros pontos de bloqueio, empresários também denunciam ameaças a caminhoneiros que não integram as manifestações. Segundo o diretor de uma empresa de descartáveis do DF, Cidney Cid, dois veículos da firma foram retidos na última semana. “Tem um caminhão que está há nove dias em Araguari (MG), foi parado enquanto voltava de uma feira hospitalar em São Paulo. Os motoristas são funcionários fichados, não são caminhoneiros, nunca passaram por isso”, afirma. SP2.